Indicadores meteorológicos apontam para a possibilidade de um El Niño de classificação “muito forte” em 2026, com previsão de que o fenômeno alcance seu pico de intensidade próximo ao fim do ano. O alerta é feito pela professora titular do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alice Marlene Grimm, coordenadora do Laboratório de Meteorologia (Labmet).
O El Niño é uma fase quente da oscilação climática conhecida como ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e ocorre quando há alterações na temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico. Essas mudanças podem influenciar as condições meteorológicas em diferentes partes do planeta.
No Brasil, o fenômeno está associado ao aumento da ocorrência de secas e incêndios na região Norte, além de tempestades, enchentes e ciclones no Sul e possibilidade de crise hídrica em outras áreas do país.
Segundo a pesquisadora, o cenário reforça a necessidade de melhorar o planejamento e a prevenção de desastres naturais. Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, citado pela UFPR, apontou que 60% das prefeituras paranaenses não possuem estrutura de Defesa Civil e 70% não contam com sistemas de alerta de riscos para a população.
Alice Grimm também tem atuado na aproximação entre ciência e gestão pública, buscando levar informações científicas para gestores responsáveis pela prevenção de desastres. A pesquisadora possui atuação em organismos científicos nacionais e internacionais e participou da revisão do quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
A relação da cientista com o tema também é pessoal. Em 1983, seus pais perderam parte da casa onde moravam no Vale do Itajaí (SC) durante uma enchente associada a um episódio de El Niño. A experiência contribuiu para sua trajetória de pesquisa sobre eventos climáticos e suas consequências.
