Pesquisa da UFPR aponta sinais de degradação em rios do Oeste do Paraná


Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificou sinais preocupantes de degradação ambiental em rios do Oeste do Paraná. O estudo analisou os rios São Camilo, Santa Fé e Pioneiro e encontrou alterações em peixes que indicam impactos relacionados à qualidade da água.

 

Entre os problemas observados estão lesões nas brânquias, alterações no fígado, sinais de estresse e danos genéticos nos peixes utilizados como indicadores da condição dos ambientes aquáticos.

 

O trabalho foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Tecnologia Ambiental (PPGETA), por Fernando Garrido de Oliveira, sob orientação da professora Lilian Dena dos Santos, uma das coordenadoras do Laboratório de Qualidade de Água e Limnologia da UFPR Palotina.

 

As análises apontaram aumento de nutrientes, maior turbidez, excesso de sedimentos e presença de metais. Segundo os pesquisadores, esses indicadores estão associados a fatores como atividade agrícola, uso de fertilizantes e agrotóxicos, urbanização e lançamento inadequado de efluentes.

 

Os chamados biomarcadores utilizados na pesquisa funcionam como uma espécie de “termômetro” da saúde dos rios, permitindo identificar efeitos da contaminação nos organismos que vivem nesses ambientes.

 

De acordo com Lilian dos Santos, alterações fisiológicas, bioquímicas, histológicas e genéticas podem comprometer a sobrevivência, o crescimento e a reprodução das espécies. Quando os impactos são contínuos, existe o risco de redução das populações e da diversidade de organismos nos rios.

 

Impactos podem atingir outros setores

 

Além dos impactos ambientais, os pesquisadores alertam que a degradação da qualidade da água pode trazer consequências para atividades como abastecimento, irrigação, piscicultura, pesca e recreação.

 

A pesquisa também destaca que contaminantes presentes na água podem se acumular nos organismos aquáticos e entrar na cadeia alimentar, representando possíveis riscos indiretos para animais e seres humanos.

 

No Oeste do Paraná, o modelo agrícola baseado principalmente no cultivo de soja e milho também foi apontado como um dos fatores que podem contribuir para a degradação dos recursos hídricos, especialmente quando associado à redução da vegetação ciliar, processos erosivos, assoreamento e uso inadequado de insumos agrícolas.

 

Pesquisadores defendem ações de preservação

 

Entre as medidas apontadas como importantes estão a recuperação e preservação das matas ciliares, controle da erosão e do assoreamento, melhoria dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

 

O monitoramento contínuo da qualidade da água e o acompanhamento dos organismos aquáticos também são considerados importantes para identificar alterações ambientais de forma antecipada.

 

O estudo recebeu financiamento da Capes, CNPq e Fundação Araucária e foi indicado como a melhor tese de doutorado de 2025 pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Tecnologia Ambiental da UFPR. Um artigo derivado da pesquisa também recebeu reconhecimento no eixo de Saúde e Meio Ambiente do VI Congresso da Sociedade de Análise de Risco Latino-Americana.

 

 

 

 





Todos os direitos reservados. © Copyrıght 2015
Projeto de Criação de Site - Azz Agência